O Mazda CX-80 é o “porta-aviões” da armada da Mazda, e o seu estatuto de topo de gama é demonstrado em cada detalhe, tanto na qualidade de construção, nos materiais refinados, nas tecnologias de conectividade, na segurança e na muito evoluída mecânica. Neste último campo, o teste ao Mazda CX-80 Diesel deixou-nos muito agradados com o excelente comportamento e eficiência deste bloco de seis cilindros a gasóleo.
Contrariando as (muitas) vozes que declaram a morte dos Diesel, e a opção de várias marcas em descontinuar estes blocos, o fabricante de Hiroshima optou pela via alternativa. Ou seja, otimizar os propulsores a gasóleo em variados parâmetros. Para isso uma nova tecnologia de combustão, o apoio do sistema microhíbrido de 48 volts e a filosofia “right-sizing” garantem capacidade para reduzir consumos.
O resultado, podemos confirmar, é um excelente motor, que torna ainda mais notável a vida a bordo deste SUV. E na configuração de seis lugares do nível Homura Plus com os “Captain Seats”, além do motor Diesel existem muitos outros atributos a destacar-se neste grande SUV. Mas existe um grande problema, com origem em forças externas à marca, como lhe vamos explicar.
Estilo que faz lembrar os grandes SUVs americanos
Ao contrário das formas mais harmoniosas e arredondadas com que nos brindam a maioria das marcas europeias, a Mazda opta por um estilo mais imponente e estatutário. Isso faz sobressair ainda mais as dimensões e presença deste SUV com 4,99m de comprimento, 1,89m de largura e 1,71m de altura.








O CX-80 é, sem dúvida, um SUV grande. E visto ao vivo, parece ainda maior, com a sua grande grelha reta e um capot extra-longo. Ao olhar para ele, estas formas da dianteira, acompanhadas de uma generosa distância entre eixos de 3,12m, têm semelhanças com um estilo mais visto nos grandes SUVs americanos, como o Escalade ou o Navigator, distanciando-se das linhas gerais das marcas europeias e asiáticas para os SUV’s.
A imagem é imponente e revela o nível premium do maior modelo da Mazda, algo enfatizado por detalhes como os frisos cromados nas laterais, o teto panorâmico e as óticas LED bem alongadas na retaguarda. Mas, simultaneamente, este SUV de seis (ou sete) lugares, também se mostra elegante e atrativo, algo para que contribui a pintura Artisan Red e as grandes jantes de 20’’. E, ao abrir as portas, as soleiras das portas iluminadas com o lettering CX-80 conferem um toque extra de classe…
Ergonomia, tecnologia e qualidade marcam a vida a bordo
Ao entrar a bordo, no lugar do condutor, ficamos imediatamente agradados. Desde logo porque a boa posição de condução e a organização dos elementos que encontrámos no teste ao Mazda CX-80 torna-o muito funcional e intuitivo de operar, algo que tínhamos já apreciado antes no CX-60 PHEV.










Além disso, os materiais requintados, como madeiras de tons escuros e pele, as superfícies trabalhadas, e bem delineadas, e os bancos ergonómicos e refrigerados mostram o pináculo da abordagem ao luxo ‘Crafted in Japan’ da Mazda. Entrar a bordo do CX-80 é entrar numa atmosfera premium onde tudo se combina para o bem estar do condutor e dos passageiros.
Os bancos têm um conforto e apoio excelentes, e depois de usar os botões elétricos para definir a posição de condução podemos guardar na memória do carro essa configuração. Depois os comandos principais estão todos facilmente acessíveis, através do volante multifunções e da secção central com o Mi-Drive, alavanca da transmissão e o comando rotativo com controlos de acesso rápido ao infotainment. Abaixo do ecrã que nos mostra o infoentretenimento existe um outro, coadjuvado por vários botões, para gerir com facilidade a climatização independente para os passageiros dianteiros.
Espaço é um (grande) trunfo do Mazda CX-80
Seja como veículo particular para famílias mais numerosas, ou como frota de luxo para transporte em empresas, uma garantia é que ninguém se vai sentir oprimido a bordo do SUV topo de gama da Mazda. Especialmente com esta configuração de seis lugares da versão Homura Plus.
Com os bancos independentes da segunda fila é imediatamente eliminado qualquer problema ao nível da largura para acomodar os passageiros. E na terceira fila uma pessoa com 1,85m (como é o meu caso) viaja sem andar encolhido ou a comprimir a cabeça contra o teto. E, com o teto panorâmico de grandes dimensões, o espaço deste arejado interior parece ainda maior.

As áreas são bastante generosas e são vários os exemplos da extrema atenção aos detalhes da marca japonesa. Isso fica patente nos decks de carregamento USB nas três filas de bancos, as bases para copos e no AC tri-zona, que permite aos ocupantes dos lugares posteriores definirem de forma autónoma a temperatura que pretendem e usufruir de aquecimento dos bancos.
Por fim, há que destacar ainda a facilidade de acesso aos lugares posteriores. A ampla abertura das portas é importante, mas a forma como os bancos da segunda fila se movem em carril é a principal razão para não precisar de aulas de ginástica para chegar aos lugares da fila da retaguarda.
Mazda CX-80 Diesel – Um motor a gasóleo à prova do futuro
Disponível também em PHEV, no teste Mazda CX-80 tivemos a oportunidade de experimentar a versão com o propulsor a gasóleo de 3,3 litros e-Skyactiv D. Uma excelente notícia, já que nos deu a oportunidade de ver como se comporta aquele que é um dos motores Diesel mais evoluídos do mundo. Algumas das suas principais características são:
- Bloco de seis cilindros em linha com 3,3 litros, seguindo a filosofia de “Right-Sizing” da Mazda;
- Motor dianteiro e tração integral, dando primazia ao envio da força para as rodas traseiras;
- Sistema microhíbrido de 48 volts M Hybrid Boost apoia o motor a velocidades mais baixas e cargas reduzidas;
- Tecnologia DCPCI e câmara de combustão redesenhada com duas zonas para otimizar a mistura ar-combustível antes da explosão, o que reduz emissões e aumenta a eficiência;
- Regeneração de energia em desaceleração sem recurso ao motor permite momentos de condução 100% elétrica.

O resultado desta evolução dos motores e-Skyactiv-D permite ao Mazda CX-80 Diesel, que debita 254 cv e 550 Nm, um comportamento extremamente eficiente. Isso fica comprovado pelos consumos homologados de 5,7 l/100km para este peso-pesado de 2056 kg da gama da Mazda.
Transmissão muito adaptativa
No teste ao Mazda CX-80 Diesel também sobressaiu a excelente configuração da transmissão automática de oito velocidades. Apesar da possibilidade de recorrer às patilhas no volante, isso é praticamente desnecessário, já que a caixa de velocidades está programada para se adaptar de forma imediata ao que o condutor lhe diz através do pedal do acelerador.
Em momentos de condução mais calma as passagens de caixa são lineares e feitas com suavidade numa faixa ao redor das 1250 RPM, mas basta indicar que se quer uma condução mais viva, ao exercer mais pressão sobre o pedal, para as mudanças de velocidade serem feitas em regimes mais altos, a partir das 1750 RPM.

Este trabalho muito bem realizado na programação da transmissão é uma das bases para o comportamento versátil do CX-80. Ele consegue ser extremamente poupado e tranquilo, movendo-se com agilidade surpreendente a velocidades mais baixas em cidade, o que é notável para um modelo com as suas dimensões. E, em comparação ao CX-60, notámos uma capacidade superior da suspensão para filtrar as irregularidades do piso e mais conforto ao superar as lombas e outros obstáculos.
Ao sair para vias com velocidades mais altas, o comportamento dinâmico continua a ser muito bom, com uma resposta imediata e com bom poder de aceleração, especialmente quando no Mi-Drive optamos pelo modo Sport em detrimento do Normal e do Off-Road. Aliás, estas opções são mais uma prova da eficiência deste automóvel. Os consumos são sempre tão reduzidos que nem foi preciso adicionar um modo Eco…
Teste de consumos do Mazda CX-80 Diesel
Para verificar se a eficiência prometida pela Mazda era real, fizemos um percurso misto ao volante do CX-80. E, à imagem de outros modelos do fabricante (como o Mazda2 Hybrid), podemos dizer que Mazda e eficiência são um binómio que resulta numa excelente combinação.

Num percurso inicial em cidade, com velocidades entre 30 e 50 km/h, o cockpit virtual do CX-80 indicou um registo de 6,3 l/100km. A segunda parte do percurso foi efetuada, com um registo ponderado de 80 km/h, em estradas secundárias. Isso permitiu baixar a média de consumos para os 5,8 /100km, o que nos leva a calcular que, em estradas nacionais e outros IP, os consumos do Mazda CX-80 facilmente descem abaixo dos 5,5 l/100km.
Para a parte final do teste ao Mazda CX-80 Diesel, numa média de 110 km/h em autoestrada, o registo dos consumos manteve-se estável nos 5,8 l/100km. Este foi, portanto, o consumo que obtivemos no final desta análise aos consumos do topo de gama da Mazda.
Estabilidade e resposta foram pontos altos na condução do Mazda CX-80 Diesel
Além da excelente eficiência, também nos agradou a resposta imediata ao pressionar o acelerador. Seja a baixas rotações ou em regimes mais altos, o SUV nipónico nunca se engasga, e faz questão de cumprir com primor o que lhe é pedido.
Ao carregar com suavidade no pedal do lado direito o CX-80 mantém um comportamento linear, mas quando o condutor pede mais fulgor o SUV também entrega a potência com rapidez. Ao explorar o lado dinâmico do SUV (mas cumprindo os limites de velocidade do Código da Estrada…) sobressai a quase ausência de oscilações da carroçaria, com estabilidade e precisão na definição das trajetórias.
A boa insonorização também ajuda a reforçar a tranquilidade que sentem os passageiros do CX-80. Estando equipado com um motor de combustão, obviamente que não é totalmente isento de ruídos, mas só mesmo com acelerações muito fortes se começa a fazer ouvir de forma evidente o trabalhar do bloco Diesel de 254 cv.

O que mais gostámos do Mazda CX-80 Diesel
A eficiência é um dos pontos-fortes deste SUV de sete lugares, e isso ficou bem patente em todos os momentos. E não foi apenas num cenário de condução. O CX-80 ofereceu-nos em todos os momentos consumos reduzidos, que permitem cumprir facilmente mais de 700 km sem ter de abastecer o depósito.
A excelente programação da transmissão, muito maleável e adaptativa, também nos agradou. Ela é um garante de tranquilidade numa condução tranquila, mas também de dinâmica quando se decide colocar as capacidades do CX-80 Diesel à prova.
As enormes áreas interiores, adornadas pela qualidade dos materiais e mestria dos acabamentos, também são um convite a desfrutar do excelso conforto do Mazda CX-80. A isto junta-se uma excelente posição de condução e uma ergonomia superior, que garantem que tudo está facilmente acessível ao condutor e todas as configurações e comandos podem ser operados de forma intuitiva.
Mas existe muito mais que nos agradou no CX-80. É o caso do seu visual estatutário, da muita tecnologia colocada ao dispor do condutor e ocupantes e a forma pouco intrusiva de atuar das várias ajudas de segurança. E, nas manobras de estacionamento temos apoio de câmaras, sensores e da visão 3D para realizar todo o trabalho com mais tranquilidade. A direção, muito leve, também garante que mesmo nos locais mais apertados da cidade torna-se fácil manobrar este SUV de 5 metros de comprimento.
O que gostámos menos do Mazda CX-80 Diesel
Aquilo que mais nos desagradou no CX-80 nem é culpa da marca, mas sim do país em que vivemos: a Classe 2 nas portagens. Quem viaja com frequência, ou conduz o carro diariamente em autoestradas, vai sentir a pesada fatura deste custo. E, falando de custos, a segunda coisa que gostámos menos é o preço.
O nosso teste ao Mazda CX-80 PHEV foi feito com o equipamento Homura Plus, que incluia os packs CONF, DRAS, COSO D, PANO e CAHO. Ou seja, uma imensidão de equipamentos de conforto, tecnologia e segurança. Com o motor Diesel, e contabilizando o desconto da Mazda de 2.280€, ele tem um custo de 89.331€. Existe uma diferença de 14.000€ para o CX-80 PHEV, com vantagem para o híbrido.
Ou seja, a versão Diesel é tremendamente prejudicada pela fiscalidade na compra (e depois todos os anos no IUC…). Isto significa que só alguém que comprar um PHEV para não tirar partido da bateria e escolher um carro para 30 anos tem a possibilidade de (talvez…) recuperar a diferença no preço que paga pelo Diesel.

Em comparação ao PHEV a única vantagem do CX-80 Diesel é o maior volume de carga com os dois bancos traseiros rebatidos, de 687 litros contra os 566 do híbrido. Na disposição de seis ou sete lugares , o volume é idêntico, de 258 litros, suficiente para transportar as bagagens do dia a dia. Valerá a pena pagar mais 14.000€ por esta área adicional?
Balanço Final Teste Mazda CX-80: Excelente, se ignorarmos o PHEV…
Os imensos elogios que fizemos ao Mazda CX-80 mostram que este é um automóvel que trata muito bem todos os ocupantes e que garante versatilidade. O Diesel garante baixos consumos em todos os percursos, é muito suave e confortável e o SUV oferece muita tecnologia (inclusivamente na segurança, onde foi eleito pelo Euro NCAP o Grande SUV mais seguro de 2024). E tem um estilo singular e um habitáculo premium. Em resumo, o topo de gama da Mazda convence.

Mas, olhando para os preços da versão Diesel e da versão PHEV, acabamos por concluir que o CX-80 convence ainda mais como híbrido Plug-In. Com esta motorização ele fica com um valor de compra muito acessível e garante, à imagem de outros modelos da marca, muito retorno pelo dinheiro investido.
Como tal, ficámos muito agradados com o Mazda CX-80 Diesel. Mas, infelizmente, as políticas fiscais nacionais e a existência do Mazda CX-80 PHEV como alternativa na gama da marca tornam a vida muito complicada à versão a gasóleo deste SUV topo de gama…




