Os crossovers são um dos tipos de carroçaria mais curiosos, chamados por muitos como SUVs compactos. A verdade é que eles conquistaram, pela combinação entre estilo mais robusto que o dos tradicionais compactos e preços competitivos, um importante número de clientes. Modelos como o Mazda CX-30 explicam bem os motivos para este apetite do mercado pelos crossovers.
As dimensões compactas, habituais nos segmentos B e C, são um trunfo para a condução em cidade, onde os grandes SUV parecem um Gulliver na terra dos Liliputianos. E o estilo aventureiro, com proteções da carroçaria e mais altura ao solo (perfeita para subir passeios ao estacionar) vão de encontro às preferências e necessidades dos consumidores. Além disso, pela maior altura oferecem uma sensação de habitabilidade superior.
Estes trunfos dos crossover estão todos incorporados com excelência do Mazda CX-30, o mais pequeno modelo de uma gama do fabricante nipónico onde pontuam também o CX-5, o CX-60 e o CX-80. Para se destacar dos concorrentes de outras marcas, a Mazda lançou este ano para o CX-30 (e também no Mazda6) a nova motorização SkyActiv-X, com tecnologia híbrida que permite obter consumos muito interessantes.
Os motivos e atrativos para fazer um teste ao Mazda CX-30 eram bastantes. Quer saber como ele se comportou? Continue a ler o teste ao Mazda CX-30 e descubra.
Um estilo ‘less is more’ com muito estilo
O visual do Mazda CX-30 segue os cânones da filosofia de design Kodo, o guia de estilo da marca nipónica. A ideia parte da idea de que ‘less is more’, expandida neste crossover com conceitos como Sohaku (a beleza dos espaços vazios), Sori (postura e equilíbrio) e Utsuroi (jogos de luzes e sombras). Todos eles podem ser encontrados de forma clara neste modelo.
A postura e equilíbrio são patentes no visual exterior, onde a grande grelha dianteira envolvida num generoso friso cromado surge em destaque na dianteira, em conjunto com as simpáticas óticas arredondadas. A postura vistosa é reforçada pelas formas do capot, mais elevado na zona frontal, o que confere mais impacto à grelha e ajuda a fazer as formas fluir com dinamismo para os flancos.
E visto de lado, os 1540mm de altura parecem maiores, com uma presença assertiva onde a inspiração SUV é reforçada pelos 180mm de distância ao solo e pelas proteções inferiores da carroçaria. E o Utsuroi ficou bem patente na forma como as luzes e sombras vão alterando as tonalidades da pintura Polymetal Grey, num visual onde se destacam também os contrastes em locais como os vidros traseiros, escurecidos e parcialmente envolvidos num friso cromado brilhante.
Na traseira temos elementos de inspiração desportiva que reforçam o apelo visual do Mazda CX-30. Os dois mais marcantes estão nas extremidades superior e inferior. Ou seja, no spoiler que prolonga as linhas do teto e nas duplas saídas de escape que anunciam boas doses de potência. Até porque 186 cv num crossover com 4395mm de comprimento e 1795 mm de largura já são valores consideravelmente interessantes.
A beleza dos espaços vazios faz-se notar nas boas áreas interiores
A bordo, onde se notabiliza a qualidade de fabrico dos modelos da Mazda, este crossover destaca-se por áreas generosas. Isso sente-se nos lugares dianteiros, onde temos 1 metro de altura, boa largura e somos acomodados de forma excelente pelos bancos. Mas sente-se também na retaguarda, onde mesmo passageiros mais altos conseguem viajar sem constrangimentos nas áreas para as pernas ou para a cabeça.
Ao nível dos revestimentos a versão Homura, protagonista neste teste ao Mazda CX-30, conta com bancos em tecido preto. A atmosfera dominada por tons escuros, nos bancos e zonas do tablier, portas e consola central, faz sobressair o vermelho dos pespontos contrastantes. Temos depois lacados e cromados na consola central, junto da zona da alavanca para a caixa manual de seis velocidades, bem como na secção central do tablier com os comandos físicos do ar condicionado bi-zona.
Mazda CX-30 proporciona condução muito suave e tranquila
Quando tive a oportunidade de testar o Mazda CX-30 tinha antes estado ao volante do Mazda 3 Sedan, com quem este modelo partilha o motor. Trata-se do bloco 2.0 de 186 cv e 240 Nm, acoplado a uma caixa manual com seis relações e passagens curtas para potenciar fortemente a autonomia.
O resultado desta configuração em cidade é um trabalho contínuo para as passagens de caixa. Mas, fruto da boa ergonomia obtida com o desenho da consola central, não se trata de uma tarefa cansativa. Mantendo o motor entre as 1250 RPM e as 1.500 RPM, com passagens de caixa a cada 10 km/h conseguem-se consumos bastante interessantes e uma condução muito suave.

Fora de cidade, esticando um pouco mais as mudanças, e rolando em regimes entre as 1.500 RPM e as 2.250 RPM, consegue-se também seguir com fluidez. Mas, em caso de necessidade, se pressionarmos o acelerador obtemos uma boa resposta. E essas acelerações mais vigorosas permitem explorar o lado dinâmico do crossover nipónico.
Obviamente não estamos a falar das inebriantes sensações que provocam um MX-5 (como lhe contaremos nos próximos dias). Mas dá para nos divertirmos e guiar de forma mais animada. Em autoestrada, para rolar nos limites impostos pela legislação rodoviária e pelos radares (e evitar as contraordenações graves e muito graves…), também se conseguem momentos de prazer e sai enaltecida a suavidade do Mazda CX-30.
Um crossover microhíbrido que garante poupança sem sacrificar as boas sensações
No teste de consumos do Mazda CX-30, o crossover nipónico obteve registos muito interessantes. Em cidade terminei um teste com alguma duração e momentos de congestionamento com uma média de 6,8 l/100km, numa condução onde fui “passeando” entre 2ª, 3ª e 4ª velocidades. Mas, em momentos com trânsito mais fluido fiquei próximo dos 6 litros., o que indica que a rolar com poucas paragens os consumos são competitivos De referir ainda que a transmissão opera com grande suavidade, sem solavancos nas passagens de caixa, e a suspensão absorve com muita eficácia as irregularidades do piso.
Fora de cidade a eficiência sobressai nos diferentes cenários. Numa condução calma, entre 70 e 80 km/h e com espaço livre para rolar, consegui uma média de 4,2 l/100km. Isso demonstra que este é o cenário onde o CX-30 potencia mais a sua eficiência. Ele alcança facilmente a 6ª velocidade e seguindo em baixas rotações ou a rolar livre, é extremamente competente e poupado.

Na autoestrada fiquei com uma média de 5,4 l/100km. Neste cenário nota-se que o motor tem força para acelerações mais fortes quando isso é exigido. E depois de ganhar velocidade de forma progressiva, consegue manter-se num regime baixo e com agradável eficiência quando o ritmo é constante.
Cumpri aproximadamente 50% do teste de consumos do Mazda CX-30 em autoestrada, 30% em vias secundárias e 20% em cidade, do que resultou uma média de 5,31 l/100km. Um registo que revela eficiência e que ficou até abaixo dos 5,6 l/100km indicados pelo teste WLTP. O segredo para esta eficiência está, na minha opinião, na boa utilização da transmissão e na capacidade de tirar partido da capacidade do CX-30 facilmente rolar “solto”, sem precisar de carregar no acelerador.
O que gostei mais no Mazda CX-30
A eficiência de topo surpreendeu-me pela positiva no crossover nipónico, cujos registos ficaram mesmo abaixo dos valores de homologação. E, associado a isso, a suavidade de operação da transmissão, que podemos gerir confortavelmente com a posição ergonómica que a alavanca tem no habitáculo.
Falando do habitáculo, gostei também das generosas áreas para todos os ocupantes. Tanto na dianteira como na traseira temos uma boa altura e largura de ombros. Junta-se ainda uma bagageira com acesso facilitado e boa profundidade, especialmente se expandirmos os 430 litros disponíveis até ao máximo de 1406 litros.

O comportamento geral em condução do Mazda CX-30 também me agradou. Estável em todos os momentos, mesmo quando decidimos testar um pouco mais os seus limites, o crossover nipónico é muito agradável e oferece uma boa resposta. A combinação entre um motor com boa disponibilidade, uma direção precisa e com o peso certo e uma suspensão que gere bem as oscilações resulta numa experiência de condução globalmente positiva e agradável.
O que gostei menos no Mazda CX-30
Existem poucas falhas a apontar ao CX-30, já que o seu exterior tem linhas agradáveis, o interior é espaçoso, confortável e bem construído, e a mecânica merece nota muito positiva. A tecnologia será, porventura, a área onde a marca pode fazer uma aposta mais forte. Numa altura em que os grandes ecrãs são a regra, a opção por um pequeno visor para o infotainment pode afastar algumas audiências.
Depois de alguma habituação, torna-se fácil usar os sistemas através do comando rotativo na consola central. Além disso, temos shortcuts para climatização e para o áudio. Mas a solução está um pouco em contraponto com as tendências de conectividade mais habituais. E isso pode causar estranheza e mais dificuldade de operação a alguns condutores. Não é o meu caso, que recorro pouco ao infotainment e às aplicações durante a condução, mas acredito que outros condutores sintam falta de “tocar no ecrã”.

Balanço Final – Mazda CX-30 merece elogios por ser globalmente muito bom
Existem automóveis que se destacam em determinado parâmetro mas depois ficam aquém em outras áreas. O Mazda CX-30, pelo contrário, tem o condão de encantar pelo comportamento sólido nas principais elementos em análise. O design, a construção e áreas interiores, o comportamento em estrada e a eficiência tiveram todos nota positiva.
Além disso, o preço também é bastante competitivo na comparação com os outros crossovers, até mesmo das marcas mais vendidas em Portugal. E aqui, novamente, é a análise completa dos prós e contras que joga a favor do CX-30. Alguns modelos têm mais áreas interiores, mas depois pecam na eficiência ou potência. E os que superam os 186 cv têm geralmente preços mais altos e, em alguns casos, pior pontuação em parâmetros como a habitabilidade, áreas da bagageira e nos equipamentos de série. Pode comprovar isso mesmo no simulador de carros novos.
Não admira, portanto, que o Mazda CX-30 seja um modelo muito importante na estratégia e no sucesso da marca. A combinação entre o estilo crossover (ou SUV compacto), a qualidade de construção, áreas generosas, excelente experiência de condução e eficiência jogam a seu favor. Este é, sem dúvida, um modelo que os rivais devem considerar como uma ameaça que não podem ignorar…
Especificações Mazda CX-30 e-SkyActiv X 186 cv
Veja agora as especificações do Mazda CX-30 testado pelo Auto Avaliação:
| Especificações | Mazda CX-30 |
| Preço | 39.350€ (Homura, versão testada) 36.550€ (Prime-Line, versão base) |
| Potência | 186cv |
| Binário | 240 Nm |
| 0-100 km/h | 8,3 s |
| Velocidade Máx. | 204 km/h |
| Consumo WLTP | 5,7 L/100 km |
| Emissões | 129 g/km CO2 |
| Consumo Teste | 5,3 L/100 km |
| Comprimento | 4.395 mm |
| Largura | 1.795 mm |
| Altura | 1.540 mm |
| Distância entre eixos | 2.655 mm |
| Bagageira | 430 L (1406 L) |
| Tracção | Dianteira (FWD) |
| Peso | 1.479 kg |



















